quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Papa fala aos migrantes

Mensagem do Papa para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado


Queridos Irmãos e Irmãs!
O Dia Mundial do Migrante e do Refugiado oferece a oportunidade, a toda a Igreja, para reflectir sobre o tema relacionado com o crescente fenómeno da migração, para rezar a fim de que os corações se abram ao acolhimento cristão e trabalhem para que cresçam no mundo a justiça e a caridade, colunas para a construção de uma paz autêntica e duradoura. «Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei» (Jo 13, 34) é o convite que o Senhor nos dirige com vigor e nos renova constantemente: se o Pai nos chama para sermos filhos amados no seu Filho predilecto, chama-nos também para nos reconhecermos a todos como irmãos em Cristo.
Deste vínculo profundo entre todos os seres humanos surge o tema que escolhi este ano para a nossa reflexão: «Uma só família humana», uma só família de irmãos e irmãs em sociedades que se tornam cada vez mais multi-étnicas e intra-culturais, onde também as pessoas de várias religiões são estimuladas ao diálogo, para que se possa encontrar uma serena e frutuosa convivência no respeito das legítimas diferenças. O Concílio Vaticano II afirma que « os homens constituem todos uma só comunidade; todos têm a mesma origem, pois foi Deus quem fez habitar em toda a terra o inteiro género humano (cf. Act 17, 26); têm, além disso, o mesmo fim último, Deus, cuja providência, testemunho de bondade e desígnios de salvação se estendem a todos» (Decl. Nostra aetate,1). Assim, nós «não vivemos uns ao lado dos outros por acaso; estamos percorrendo todos um mesmo caminho como homens e por isso como irmãos e irmãs» (Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2008, 6).
O caminho é o mesmo, o da vida, mas as situações por que passamos neste percurso são diversas: muitos devem enfrentar a difícil experiência da migração, nas suas diversas expressões: internas ou internacionais, permanentes ou periódicas, económicas ou políticas, voluntárias ou forçadas. Em vários casos a partida do próprio país é estimulada por diversas formas de perseguição, de modo que a fuga se torna necessária. Depois, o próprio fenómeno da globalização característico da nossa época, não é só um processo socioeconómico, mas comporta também «uma humanidade que se torna mais interrelacionada», superando confins geográficos e culturais. A este propósito, a Igreja não cessa de recordar que o sentido profundo deste processo sazonal e o seu critério ético fundamental são dados precisamente pela unidade da família humana e pelo seu desenvolvimento no bem (cf. Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 42). Portanto, todos pertencem a uma só família, migrantes e populações locais que os recebem, e todos têm o mesmo direito de usufruir dos bens da terra, cujo destino é universal, como ensina a doutrina social da Igreja. Aqui encontram fundamento a solidariedade e a partilha.
« Numa sociedade em vias de globalização, o bem comum e o empenho em seu favor não podem deixar de assumir as dimensões da família humana inteira, ou seja, da comunidade dos povos e das nações, para dar forma de unidade e paz à cidade do homem e torná-la em certa medida antecipação que prefigura a cidade de Deus sem barreiras.» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate,7). É esta a perspectiva com a qual olhar também para a realidade das migrações. De facto, como já fazia notar o Servo de Deus Paulo VI, «a falta de fraternidade entre os homens e entre os povos» é causa profunda de subdesenvolvimento (Enc. Populorum progressio, 66) e - podemos acrescentar - incide em grande medida sobre o fenómeno migratório. A fraternidade humana é a experiência, por vezes surpreendente, de uma relação que irmana, de uma ligação profunda com o próximo, diferente de mim, baseado no simples facto de sermos homens. Assumida e vivida responsavelmente ela alimenta uma vida de comunhão e de partilha com todos, sobretudo com os migrantes; apoia a doação de si aos demais, ao seu bem, ao bem de todos, na comunidade política local, nacional e mundial.
O Venerável João Paulo II, por ocasião deste mesmo Dia celebrado em 2001, ressaltou que «(o bem comum universal) abrange toda a família dos povos, acima de todo o egoísmo nacionalista. É neste contexto que se considera o direito de emigrar. A Igreja reconhece-o a cada homem no duplo aspecto da possibilidade de sair do próprio País e a possibilidade de entrar num outro à procura de melhores condições de vida. » (Mensagem para o Dia Mundial das Migrações 2001,3; cf. João XXIII, Enc. Mater et Magistra,30: Paulo VI, Octogesima Adveniens,17). Ao mesmo tempo, os Estados têm o direito de regular os fluxos migratórios e de defender as próprias fronteiras, garantindo sempre o respeito devido à dignidade de cada pessoa humana. Além disso, os imigrantes têm o dever de se integrarem no país que os recebe, respeitando as suas leis e a identidade nacional. «Procurar-se-á então conjugar o acolhimento devido a todo o ser humano, sobretudo no caso de pobres, com a avaliação das condições indispensáveis para uma vida decorosa e pacífica tanto dos habitantes originários como dos adventícios» ( João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2001, 13).
Neste contexto, a presença da Igreja, como povo de Deus a caminho na história no meio de todos os outros povos, é fonte de confiança e esperança. De facto, a Igreja é «em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (Conc. Ec. Vat. II, Const. Dog. Lumen gentium,1); e, graças à acção do Espírito Santo nela, «o esforço por estabelecer a universal fraternidade não é vão» (Ibid, Const. Past. Gaudium et spes, 38). De modo particular é a Sagrada Eucaristia que constitui, no coração da Igreja, uma fonte inexaurível de comunhão para toda a humanidade. Graças a ela, o Povo de Deus abraça «todas as nações, tribos, povos e línguas» (Ap 7, 9) não com uma espécie de poder sagrado, mas com o serviço superior da caridade. Com efeito, a prática da caridade, sobretudo em relação aos mais pobres e débeis, é critério que prova a autenticidade das celebrações eucarísticas (cf. João Paulo II, Carta apost. Mane nobiscum Domine, 28).
À luz do tema «Uma só família humana», deve ser considerada especificamente a situação dos refugiados e dos outros migrantes forçados, que são uma parte relevante do fenómeno migratório. Em relação a estas pessoas, que fogem de violências e de perseguições, a Comunidade internacional assumiu compromissos bem determinados. O respeito dos seus direitos, assim como das justas preocupações pela segurança e pela unidade social, favorecem uma convivência estável e harmoniosa.
Também no caso dos migrantes forçados a solidariedade alimenta-se na «reserva» de amor que nasce do considerar-se uma só família humana e, para os fiéis católicos, membros do Corpo Místico de Cristo: somos de facto dependentes uns dos outros, todos responsáveis dos irmãos e das irmãs em humanidade e, para quem crê, na fé. Como já tive a ocasião de dizer, «Acolher os refugiados e dar-lhes hospitalidade é para todos um gesto obrigatório de solidariedade humana, para que eles não se sintam isolados por causa da intolerância e do desinteresse» (Audiência geral de 20 de Junho de 2007: Insegnamenti II, 1 [2007], 1158). Isto significa que todos os que são forçados a deixar as suas casas ou a sua terra serão ajudados a encontrar um lugar no qual viver em paz e em segurança, onde trabalhar e assumir os direitos e deveres existentes no país que os acolhe, contribuindo para o bem comum, sem esquecer a dimensão religiosa da vida.
Por fim, gostaria de dirigir um pensamento particular, sempre acompanhado da oração, aos estudantes estrangeiros e internacionais, que também são uma realidade em crescimento no âmbito do grande fenómeno migratório. Trata-se de uma categoria também socialmente relevante na perspectiva do seu regresso, como futuros dirigentes, aos países de origem. Eles constituem «pontes» culturais e económicas entre estes países e os que os recebem, e tudo isto se orienta para formar «uma só família humana». É esta convicção que deve apoiar o compromisso a favor dos estudantes estrangeiros e acompanhar a atenção pelos seus problemas concretos, como as dificuldades económicas ou o mal-estar de se sentirem sozinhos ao enfrentar um ambiente social e universitário muito diferente, assim como as dificuldades de inserção. A este propósito, apraz-me recordar que « pertencer a uma comunidade universitária significa estar na encruzilhada das culturas que formaram o mundo moderno» (cf. João Paulo II, Aos Bispos dos Estados Unidos das Províncias eclesiásticas de Chicago, Indianapolis e Milwaukee em visita «ad limina», 30 de Maio de 1998, 6: Insegnamenti XXI, 1 [1998], 1116). A cultura das novas gerações forma-se na escola e na universidade: depende em grande medida destas instituições a sua capacidade de olhar para a humanidade como para uma família chamada a estar unida na diversidade.
Queridos irmãos e irmãs, o mundo dos migrantes é vasto e diversificado. Conhece experiências maravilhosas e prometedoras, assim como, infelizmente, muitas outras dramáticas e indignas do homem e de sociedades que se consideram civis. Para a Igreja, esta realidade constitui um sinal eloquente do nosso tempo, que dá mais realce à vocação da humanidade de formar uma só família e, ao mesmo tempo, as dificuldades que, em vez de a unir, a dividem e dilaceram. Não percamos a esperança, e rezemos juntos a Deus, Pai de todos, para que nos ajude a ser, cada um em primeira pessoa, homens e mulheres capazes de estabelecer relações fraternas; e, a nível social, político e institucional, incrementem-se a compreensão e a estima recíproca entre os povos e as culturas. Com estes votos, invocando a intercessão de Maria Santíssima Stella maris, envio de coração a todos a Bênção Apostólica, de modo especial aos migrantes e aos refugiados e a quantos trabalham neste importante âmbito.
Castel Gandolfo, 27 de Setembro de 2010.
 BENEDICTUS PP. XVI

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Por el derecho a la movilidad humana

Veja na integra notícia do fórum social pelas migrações que está acontecendo em Quito - Equador. Acesse o documento:

Mandadto de las organizaciones infanto juveniles por el derecho a la movilidad humana

Festival só curta 2010

“FRONTEIRA DAS ALMAS” ABRE O FESTIVAL SÓ CURTA 2010


            O longa-metragem “Fronteira das Almas”, de Hermano Penna, filmado no município de Ji-Paraná, na década de 80, será o filme de abertura do Festival Só Curta – Estadual de Curta-Metragem 2010, realizado pela Fundação Cultural de Ji-Paraná, sob a coordenação do professor Carlos Reis. O filme, que conta com atores regionais no elenco, retrata a história de brasileiros que, desde a década de 70, vêm ocupando e transformando a região amazônica, trazendo à reflexão os imensos contrastes e contradições que fizeram – e fazem, o Brasil de hoje.
            Hermano Penna estreou seu primeiro longa-metragem, “Sargento Getúlio”, em 1983, recebendo o prêmio de melhor direção no Festival de Locarno, Suíça, e de melhor filme no Festival de Gramado. Seu segundo longa, “Fronteira das Almas”, de 1987, foi premiado como melhor filme e melhor direção pelo júri oficial do III Rio Cine Festival. Seguiu-se “Mário”, 2000, e “Olho da Boi”,  2007, exibido na Mostra Latino do Festival de Palm Springs, nos Estados Unidos. Neste mês de outubro, Hermano Penna iniciou as filmagens de seu quinto longa-metragem, “Aos Ventos que Virão”, no sertão do Estado de Sergipe.
            Para Carlos Reis, idealizador do Festival Só Curta, “é uma honra para o município ter Fronteira das Almas como filme de abertura do evento, por tudo que ele nos representa. Tanto que o filme, a pedido de seu próprio diretor, passará a fazer parte do patrimônio histórico-cultural de Ji-Paraná”. O festival acontece de 25 a 30 de outubro, com exibições no Cine Colúmbia, Teatro Dominguinhos, Unijipa e no Campus da Unir.




Maiores Informações:
CARLOS REIS – (69) 9962.0870 – 3422.8848

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Migrantes em contextos urbanos

Migrantes em Contextos Urbanos: uma abordagem interdisciplinar
Organização: Sidney Antonio da Silva
Editora EDUA
Dia 01 de agosto de 2010
27a RBA – Belém- PA

Essa coletânea de textos nos oferece um panorama da problemática que envolve o estudo das migrações no Brasil contemporâneo e, em especial, na Amazônia. É o resultado de esforços dos pesquisadores que fazem parte do Grupo de Estudos Migratórios na Amazônia – GEMA, mas também de outras instituições do país, os quais, a partir de diferentes enfoques e contextos, abordam questões que envolvem tanto a compreensão do fenômeno migratório com suas implicações mais amplas, quanto a necessidade de dar respostas concretas à quem se encontra na condição de vulnerabilidade que a migração pode ensejar. A coletânea reúne textos de: Heinz Dieter Heidemann, Maria Aparecida Moraes, Wilson Fusco, José Aldemir de Oliveira, Danielle Costa, Roberto Jaramillo, Márcia M de Oliveira, Sidney A da Silva, Sidnei Dornelas,Carmen Lucci, Carolina de França, Renata Nobrega e Tania Barroso.

Santo Antônio Energia

A Santo Antônio Energia, empresa responsável pelo projeto da hidrelétrica Santo Antônio, no Rio Madeira (RO), quer aumentar de 3.150 megawatts para 3.450 megawatts (MW) a potência instalada da usina.
Segundo o presidente da empresa, Eduardo de Melo Pinto, a concessionária vai entregar na próxima semana à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) os estudos para conseguir o aval da agência para a ampliação.
Segundo ele, o investimento adicional para aumentar a produção de energia elétrica será de aproximadamente R$ 500 milhões, a serem usados basicamente para comprar quatro novas turbinas. Assim, a quantidade de máquinas geradoras em Santo Antônio passará de 44 para 48.
O investimento tende a ser recompensado, uma vez que toda a energia adicional poderá ser vendida no mercado livre, no qual os preços podem ser bem superiores aos do chamado mercado cativo, formado pelas distribuidoras de energia. No mercado livre, os compradores são grandes empresas com consumo elevado de energia que escolhem seus fornecedores.
O diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, disse que a aprovação para o aumento da capacidade da usina não deverá ser demorada. Além disso, acrescentou, a mudança não exigirá autorização de órgãos ambientais.
'Essa ampliação não altera as condições ambientais da usina, como a altura da barragem e o tamanho do reservatório', disse Hubner.
A Aneel autorizou a Santo Antônio Energia a antecipar de maio de 2012 para dezembro de 2011 o início da geração de energia da usina. Essa é a segunda antecipação de cronograma autorizada para a hidrelétrica, já que o calendário original previa o início das operações em dezembro de 2012.
O presidente da Santo Antônio Energia estima que ao longo deste um ano de antecipação serão gerados 10,5 mil gigawatts/hora no mercado livre. Essa energia é o suficiente para abastecer dois terços do Distrito Federal em um ano.
O executivo afirmou que a usina já fez um arranjo para que essa energia antecipada possa ser comercializada mesmo se a obra da linha de transmissão que liga Porto Velho (RO) a Araraquara (SP) não estiver pronta. Segundo ele, poderá ser usada a linha já existente de 230 KV que liga Porto Velho a Cuiabá (MT).
Hubner confirmou que os empreendedores da outra hidrelétrica do Rio Madeira, a de Jirau, também já manifestaram interesse em antecipar o calendário da obra. 'Mas não oficializaram nada ainda'.
Belo Monte. Conforme o Estado antecipou na sua edição de 13 de maio último, o contrato de concessão da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, será assinado na quinta-feira desta semana, às 10 horas, no Palácio do Planalto.
A data foi confirmada ontem pelo site do Ministério de Minas e Energia.
Mudanças
3.150 MW
é a potência prevista inicialmente para a usina de Santo Antônio
R$ 500
milhões é o investimento adicional previsto para a ampliação
48
será o total de máquinas geradoras


Por Leonardo Goy / BRASÍLIA, estadao.com.br, Atualizado: 24/8/2010 1:35

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dia do cortador de cana

Veja na integra o belíssimo texto escrito pela Pastoral dos Migrantes de Guariba clicando no link abaixo:

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Dimensões trabalhadas no Seminário

Ao longo do Seminário provincial alguns aspectos foram constatados na fala das irmãs e nas provocações que surgiram. Resumidamente, esses são os eixos a serem tratados pela congregação scalabriniana considerando o objetivo Geral do Sexênio:

Animação Vocacional

Situações desafiadoras (Pe. João)

Dimensão política

Lidar com as diferenças

Ecumenismo

Formação

Sustentabilidade econômica

Trabalho em redes e parcerias

Comunicação

Cuidado de si

Forças motivadoras


Veja algumas fotos desse encontro clicando na imagem abaixo:


fotos seminário provincial-Geral