quinta-feira, 26 de maio de 2011

Declaração repúdio


CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz
Declaração de repúdio ao assassinato do casal de extrativistas
no Estado do Pará

Como a terra faz desabrochar suas sementes, Deus fará germinar a justiça diante de todas as nações’ (cf. Isaias, 61,11).

A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz - CNBB se une às inúmeras manifestações de repúdio ao brutal assassinato do casal Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio Ribeiro da Silva, líderes camponeses, ocorrido na manhã desta terça-feira, 24 de maio, em Nova Ipixuna, sudeste do Pará.

Conhecido por sua liderança no projeto de assentamento agroextrativista Praialta-Piranheira, criado em 1997, e na associação de camponeses da região, o casal ganhou o respeito e a admiração de todos na região por sua bravura na denúncia da ação de madeireiros ilegais na floresta amazônica.

A declaração feita, em novembro de 2010, diante de mais de 400 pensadores de diversas áreas do conhecimento sob o tema da qualidade de vida no planeta, nos dá uma dimensão da luta e do comprometimento de José Cláudio com a ecologia:

Vivo da floresta, protejo ela de todo jeito, por isso vivo com a bala na cabeça a qualquer hora porque eu vou pra cima, eu denuncio. Quando vejo uma árvore em cima do caminhão indo pra serraria me dá uma dor. É como o cortejo fúnebre levando o ente mais querido que você tem, porque isso é vida pra mim que vivo na floresta e pra vocês também, que vivem nos centros urbanos.

O assassinato de Maria e José Cláudio, com repercussão internacional, traz à memória Chico Mendes e Ir. Dorothy, vítimas do mesmo poder econômico que avança sobre as florestas. A violência que mata estas lideranças em nosso país, evidencia a urgência de um modelo de desenvolvimento que respeite e promova a riqueza das culturas tradicionais na proteção, convivência e produtividade dos povos da floresta. Este pensamento foi expresso pela CNBB ao afirmar que:
Organizar um processo produtivo que efetive a solidariedade e harmonize as sociedades atuais com as gerações futuras e com o meio ambiente é o desafio de um novo paradigma para a questão agrária no início do século XXI”. (cf. Doc. 99, Estudos da CNBB, nº 235-236).

Em nome das Pastorais Sociais e dos Organismos a ela vinculados, a Comissão Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz - CNBB manifesta sua solidariedade às comunidades da diocese de Marabá, ao povo de Nova Ipixuna e aos familiares do casal Maria e José Cláudio. Exige, ao mesmo tempo, a apuração imediata dos crimes com a consequente punição dos culpados, bem como a proteção a todas as lideranças camponesas ameaçadas de morte, para que floresça a justiça em nosso país.
Brasília, DF, 26 de maio de 2011.


Dom Guilherme Antônio Werlang MSF

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral
para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Semana do migrante 2011 em Porto Velho

Programação da semana dos migrantes em Porto Velho. Veja abaixo:


Semana do migrante 2011 em Ji-Paraná

Programação da 26ª Semana do Migrante, que acontecerá de 12 a 19 de junho em todas as comunidades de base da Igreja Particular de Ji-Paraná.
Quem é de Ji-Paraná, vamos acompanhar as atividades que serão realizadas conforme a programação. (A abertura será no dia 12 de junho com celebração na Com. São Sebastião, às 20h.)
Quem é de outro município, procure na sua Paróquia o material que fora enviado com roteiro para celebrações, texto base, círculos bíblicos, cartaz... ou entre em contato com as Irmãs Scalabrinianas da Paróquia São Sebastião pelo fone (69) 3416 4219.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Migrantes haitianos no Amazonas

Uma reportagem de Gláuria Sobreira



MANAUS – Após presenciar a tragédia do terremoto, em Porto Príncipe, no dia 12 de janeiro do ano passado, milhares de haitianos resolveram tentar a sorte em outros países. Em Manaus , 470 deles recebem abrigo da Pastoral dos Migrantes da Igreja Católica. Os imigrantes, que não falam português, tentam se adaptar ao exílio forçado, já que não encontraram mais expectativas de vida no Haiti.

O país, considerado uma das nações mais pobres do mundo, ainda vive o flagelo do desemprego e da falta de perspectiva, não só pela destruição deixada pelo terremoto, como também pela instabilidade política dos últimos anos.

Veja a reportagem na íntegra aqui.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Coletivo de Formação em Ji-Paraná

Neste domingo dia 10 de abril, aconteceu na Paróquia São Sebastião o Coletivo de formação da Pastoral dos Migrantes da diocese de Ji-paraná, cujo tema tratado foi, “Nós e o planeta...Uma história”, na ótica das migrações e meio ambiente, conforme nos propõe a campanha da fraternidade de 2011, Fraternidade e vida no planeta e cujo tema da semana do migrante de 2011 será, Migrações e mudanças climáticas, o que temos a ver com isso?
O coletivo de formação foi assessorado pela professora Lediane Fani Felzke do Instituto Federal de Rondônia, apontando-nos nesse estudo, as primeiras idéias de preservação e a relação do homem com o meio, até chegar aos povos tradicionais, pois homem e natureza não são coisas separadas, é parte da mesma essência.
Na década de 80 com a Comissão das Nações Unidas para o desenvolvimento e Meio Ambiente, através do tripé: social, econômico e ecológico surge o conceito de desenvolvimento sustentável enquanto capacidade de satisfazer as necessidades do presente sem comprometer as futuras gerações de satisfazerem suas próprias necessidades.
Em Rondônia, vários elementos marcaram os focos migratórios: Os dois grandes ciclos da borracha no final do séc. XIX e início do séc. XX; a linha telegráfica Rondon; a estrada de ferro Madeira Mamoré; a construção da BR 364, acelerou a migração para a região Norte, comentou Ir. Carolina de França, coordenadora da Pastoral dos migrantes.
A história desta diocese se confunde com a própria história da cidade de Ji-Paraná marcada pela migração desde os nordestinos, expulsos pela seca, o grande fluxo migratório dos anos 1980/1990, o êxodo rural instalado nos últimos anos e a saída de nosso povo para outros países, sempre buscando sonhos, procurando “melhoria de vida”. Uns se vão, outros já retornam. Nesse vai e vem, defendemos sempre a vida, pois ela deve prevalecer sempre.
A coordenadora da Pastoral, Ir. Carolina de França destacou que no Coletivo de formação também foi constatado o aumento da população em todo perímetro da diocese e no estado de Rondônia, o crescimento da violência, dos acidentes de trânsitos, do desemprego, do desrespeito aos valores humanos, das novas configurações de famílias e do êxodo da juventude do campo para a cidade.
Atualmente vive-se uma nova fase migratória no Estado provocado pela construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, bem como das usinas da Cana e álcool existentes na região de Rolim de Moura, São Felipe e Santa Luzia.
Processo esse das hidrelétricas, danosas para comunidades sem território reconhecido e regularizado, como é o caso dos ribeirinhos do rio Madeira, os indígenas, quilombolas, reservas extrativistas e áreas de conservação ambiental, todos estão sendo afetadas pela consolidação de um modelo econômico voltado para exportação e agronegócio. Diante desse quadro o deslocamento compulsório dessas populações é inevitável, provocando ruptura dos laços sociais, culturais e religiosos que vinculam essas comunidades aos seus territórios, em vista de uma modernização que não respeita a vida e degrada o meio ambiente.
Pela equipe,
Ir. Carolina de França/ SPM Ji-paraná

terça-feira, 29 de março de 2011

Morre Padre José Comblin



Morre Padre José Comblin
Domingo, 27 de março de 2011 - 19h53min

Faleceu hoje, domingo, 27 de março, Padre José Comblin. O CEBI expressa sua gratidão pela trajetória deste profeta, cuja vida foi dedicada à causa dos empobrecidos e da Igreja Popular.
Transcrevemos abaixo a notícia postada no site do IHU.
José Comblin morreu nesta madrugada, em Salvador, na Bahia, aos 88 anos.
Ele nasceu no dia 22 de março de 1923, na Bélgica. Desde 1958 trabalhava no Brasil, especialmente em Pernambuco, na Paraíba e na Bahia.
Padre Comblin estava em tratamento médico na capital baiana. Foi encontrado morto, sentado, em seu quarto, quando era esperado para a oração da manhã e não apareceu na capela. Ele tinha problemas cardíacos e usava marcapasso. Apesar da doença, parecia bem disposto e estava trabalhando.
Ele veio para o Brasil em 1958, atendendo a apelo do papa Pio XII, que no documento Fidei domum (O Dom da Fé) pedia missionários voluntários para regiões com falta de sacerdotes.
Depois de trabalhar em Campinas e, em seguida, passar uma temporada no Chile, foi para Pernambuco, em 1964, quando d. Helder Câmara foi nomeado arcebispo de Olinda e Recife. Perseguido pelo regime militar, foi detido e deportado, em 1972, ao desembarcar no aeroporto de volta de uma viagem à Europa.
José Comblin participou do primeiro grupo da Teologia da Libertação. Esteve na raiz das equipes de formação de seminaristas no campo em Pernambuco e na Paraíba (1969), do seminário rural de Talca, no Chile (1978) e, depois, na Paraíba, em Serra Redonda (1981). Estas iniciativas deram origem à chamada Teologia da enxada.
Além disso, esteve na origem da criação dos Missionários do Campo (1981), das Missionárias do Meio Popular (1986), dos Missionários formados em Juazeiro da Bahia (1989), na Paraíba (1994) e em Tocantins (1997).
É autor de inúmeros livros, dentre eles A ideologia da segurança nacional: o poder militar na América Latina (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978)

Notícia extraída no site do CEBI. cebi@cebi.org.br

domingo, 27 de março de 2011

Assembléia Diocesana


21ªASSEMBLÉIA DIOCESANA – Diocese de Ji-Paraná
Uma igreja discípula, profética e missionária, sinal do Cristo vivo e libertador”.

Aconteceu neste mês de março, nos dias 04, 05 e 06, no Centro Diocesano de Formação, a 21ª Assembléia Diocesana de Pastoral da Diocese de Ji-Paraná cujo objetivo era rever as Diretrizes Diocesanas fundamentadas na opção preferencial pelos pobres, através da promoção da dignidade da pessoa, renovando a comunidade, participando na construção de uma sociedade justa e solidária. Essa revisão foi feita a partir do estudo realizado nas Paróquias da diocese para traçar rumos atualizados de evangelização nos próximos anos.

Como marco referencial da assembléia tivemos uma análise eclesial conduzida pelo Pe. Renato levando-nos a uma percepção mais profunda das características da igreja que temos hoje e que tipo de agente eu sou nessa igreja. Foi possível vislumbrar nossos diferentes rostos, cada um com sua identidade, vindos de muitos lugares. Queremos confirmar nossa opção por uma igreja profética, libertadora e missionária, pois a missão é a alma da Igreja. Uma igreja que valoriza a pessoa, a comunidade e a sociedade, os três eixos que norteiam as DGAE - Diretrizes Gerais de Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, e foram esses mesmos elementos que a assembléia defendeu para as linhas de ação da Igreja de Ji-Paraná.

Convém também destacar que na assembléia foi acenado o aumento da população em todo perímetro da diocese, bem como no estado de Rondônia, o aumento da violência, dos acidentes de trânsitos, do desemprego, do desrespeito aos valores humanos, as novas configurações de famílias, e também os novos fluxos migratórios no Estado provocado pela construção das usinas de Santo Antonio, Jirau e das usinas da Cana e álcool existentes na região de Rolim de Moura, São Felipe e Santa Luzia.
Destacam-se também o crescente êxodo rural, principalmente da juventude em busca de melhores condições de vida, trabalho, estudos.

A história desta diocese se confunde com a própria história da cidade de Ji-Paraná marcada pela migração desde os nordestinos, expulsos pela seca, o grande fluxo migratório dos anos 1980/1990, o êxodo rural instalado nos últimos anos e a saída de nosso povo para outros países, sempre buscando sonhos, procurando “melhoria de vida”. Uns se vão, outros já retornam. Nesse vai e vem, defendemos sempre a vida, pois ela deve prevalecer sempre.

Pela equipe,
Ir. Carolina de França/ SPM Ji-paraná